Dengo



Hoje eu quero falar sobre o amor. Mas não esse amor água com açúcar que nós vemos na sessão da tarde, quero falar de um amor com abraço casa, quentinho e aconchegante, de um amor com risadas altas e extravagantes, um amor ao qual se confia segredos e momentos íntimos, amor que te entende e que ajuda, que diz as verdades que você quer ouvir e as que não quer também, mas que é necessário. Eu estou falando do amor que faz cafuné, denga, que dá petelecos, beliscões e tapas nas costas. Um amor regado diariamente, e eu, particularmente, sei que tenho um lindo jardim e sou muito grata, por amar e me sentir amada por essas flores, meus dengos e chamegos.

Sobre a palavra Dengo, o Davi Nunes diz: “A palavra dengo é signo portentoso e conjuga em seu interior a palavra chamego, é a família preta em celebração do quilombo íntimo, é a África na origem, o sopro da criação original no ouvido a trazer placidez e beleza ao coração.”

Dengue-se, dengue os seus, faça carinho, plante afeto. bell hooks em Vivendo de amor nos ensina que: “O amor precisa estar presente na vida de todas as mulheres negras, em todas as nossas casas. É a falta de amor que tem criado tantas dificuldades em nossas vidas, na garantia da nossa sobrevivência. Quando nos amamos, desejamos viver plenamente. Mas quando as pessoas falam sobre a vida das mulheres negras, raramente se preocupam em garantir mudanças na sociedade que nos permitam viver plenamente.”

hooks afirma o tempo inteiro que as necessidades emocionais são tão importantes como as materiais, afinal o amor cura e quando nós “mulheres negras, experimentamos a força transformadora do amor em nossas vidas, assumimos atitudes capazes de alterar completamente as estruturas sociais existentes.”

É por isso que me sinto e me vejo como uma mulher forte, eu sou amada, por mim, pela minha companheira, pelas minhas amigas e família. Amar e ser amada é um direito, exerça! 


Aryelle Almeida 

   

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