Eu maior que o mundo…
E aqui estou, escrevendo, ouvindo Benjamin Clementine, tentando me encontrar numa terça-feira a noite. Estou me procurando, cavando dentro de mim, buscando uma agulha no meio de palheiro caótico. Indo e indo cada vez mais fundo, jogando palavras numa folha em branco, esperando que, talvez, quem sabe, no meio de uma oração, ou entre períodos, ou atrás de um verso, eu, por ventura, me encontre.
Fecho os olhos e me sinto embriagada, cada canção desce como um grande gole de uma bebida amarga e quente, mesmo que meu inglês não esteja tão afiado, sinto que compreendo cada palavra, como se eu mesmo fosse a voz do Clementine, essa voz perdida ecoando na madrugada, sem encontrar seu lugar no mundo, mesmo sendo maior que o mundo, mesmo extravasando e explodindo os céus… cada nota desce goela a baixo e vai fazer morada em meu peito, apertando todas minhas frágeis certezas.
Acabam as palavras e eu sigo me procurando, não tenho mais nada a dizer, eu acredito, mas sinto, sinto muito.
Texto de Aryelle Almeida


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