Legião, pandemia e neuras urbanas…
Parafraseando o Renato Russo, eu tenho andado distraída, impaciente e indecisa, e ainda estou confusa só que agora com mais incertezas do que nunca… eu sei que às vezes uso palavras repetidas, que meus textos sempre parecem falar das mesmas coisas, mas é porque as coisas ainda estão na mesma.
O ano de 2020 começou com muitos planos, muitos sonhos e como um castelo de areia na beira do mar, caiu por terra com a onda da pandemia e nessa maré cheia de confusões, notícias trágicas, pressões por produtividade e retrocessos, eu me encontro submersa. Eu literalmente me sinto um barco a motor insistindo em usar os remos…
Eu comecei a escutar Legião muito cedo, graças a influência do meu pai e do meu irmão mais velho, lembro que desde a primeira vez que ouvi, as músicas já conversavam comigo e sem entender bem eu me sentia uma velha jovem cheia de emoções confusas, preocupada com os rumos do país e sem saber pôr a cabeça e o coração em ordem.
Assim, ouvindo as mesmas músicas que cresci ouvindo vejo que ainda tenho velhas indagações comigo e que essas questões aos 25 anos ficarão mais intensas do que eram aos 12, ainda procuro me encontrar, mas não sei onde estou, e não acho um lugar mais calmo, longe dessa confusão e dessa gente que não se respeita, eu tenho quase absoluta certeza que eu não sou daqui.
Vai ver que é assim mesmo e vai ser assim para sempre… vai ficando complicado e, ao mesmo tempo, diferente…
Pois bem, a fala do Renato Russo da imagem a cima foi capturada de uma entrevista em 1993 ao Zeca Camargo que é até engraçada, mas a fala desse momento capturado me fez pensar do agora (2020) porque estamos todos assustados e carentes (de afeto, de contato, de dinheiro), mas acontece que quando eu penso nos ontens eu vejo que há tempos o encanto está ausente e são os jovens que adoecem (principalmente os pretos, pobres e periféricos).
Faz tempo que esse projeto de nação deu errado e se perguntar que país é esse é uma questão que leva a respostas repugnantes, e até pouco tempo atrás eu acreditava poder mudar o mundo, quem roubou minha coragem? Será mesmo que quem acredita sempre alcança, Renato?
Eu não sei como terminar esse devaneio, então vou só deixar a entrevista aqui embaixo e dizer que por hora é isso: #ficaemcasa!


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