O que não cabe dizer
Essa poesia veio com a brisa
fresca e fria do fim da tarde
era prosa, mas quebrou em verso
queria falar do tempo
mas não dá tempo, a revolta é maior…
De onde vem essa obrigação,
essa que me acua e ordena que eu seja feliz e produtiva o tempo inteiro
me revolto, volto e digo: “me solta”
quero ser leve, tão leve que a brisa me leve
viver assim pesa, como âncora no fundo do mar
um pleonasmo vicioso
que roda, roda, redundante em si mesmo.
Não quero escrever clichês, nem versos parnasianos
e esse lenga-lenga é culpa desse sistema, que vendeu até nossas vagas horas
ou minha será tal culpa?
Já não sei ser poeta das miúdas grandes coisas
sou a mesmice do mesmo
enquadrada nessas telas, molduras e filtros
“me solta”, me deixa voar
Apenas, amena, tão leve que o sopro me leve.
Aryelle Almeida


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